A piscina megalomaníaca (que não é páreo para a natureza)

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Desde que cheguei em Santiago, no Chile, existem alguns lugares que me assombram até mesmo em momentos inesperados: uma notícia no jornal, um comentário na botellería da esquina ou numa visita acompanhada de estrangeiros à procura de um possível futuro lar. A maior piscina do mundo é um desses lugares. Foi um holandês quem me apresentou a ela com as fotos do celular na mão: “Look! It’s the biggest swimming pool in the world!”. A minha primeira reação não foi nada como a dele. Como assim isso fica no Chile e não lá pelos lados de Dubai?, como assim se está faltando água no mundo? e como assim uma piscina é como uma notícia-ponto-turístico?, entre outras questões. Ainda que tenha me esquecido disso por uns dias, a maior piscina do mundo acabou batendo na minha porta e me levou para conhecê-la.
 
A mais ou menos uma hora e meia de Santiago, San Alfonso del Mar fica em Algarrobo, um dos balneários mais próximos de Santiago. Nesse condomínio turístico de luxo, as possibilidades de entretenimento vão de passeios de caiaque (na piscina) e outras embarcações a jacuzzis ao ar livre e um spa. Ainda que nada disso me atraia fortemente – o objetivo da visita era passar um dia distraído perto do Pacífico –, não posso negar que a beleza do lugar é inquestionável.
 


 
Para além de uma piscina megalomaníaca com pouco mais de um quilômetro de extensão (aproximadamente 20 piscinas olímpicas) e 250 milhõe$ de litros de água vindos do próprio vizinho natural, realço que a principal atração do lugar, que tem um espaço no Guinness Book, está mesmo é no horizonte: o oceano que parece não ter curva a olho nu (ou disfarça bem). Para quem passou a vida admirando mares do Atlântico ou do Mediterrâneo, as águas que cobrem quase um terço do globo terrestre ganham um olhar mais curioso e, de alguma forma, com mania de grandeza. Ainda quando enfeitiçada pelo pôr do sol, a paisagem natural deixa a gente se sentindo menor ainda e mesmo esquecidos daquele monumento turístico líquido; boa oportunidade pra saber nosso lugar de existência.

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Renata Losso

Renata Losso

renata.losso@gmail.com

Eterna viajante com inquietudes para além-mar. Entre filantropias e misantropias, é jornalista por teoria, revisora por introspecção e escritora por essência. Mantém um cotidiano de estudos literários e um blog (www.inaquotidiano.wordpress.com) para não se perder tanto por aí. Na prática, vive constantemente arquitetando todas as possibilidades e buscando-as. É paulistana de 1986, hoje mora em Santiago do Chile, mas vira e mexe se encontra com a cabeça em Barcelona. Acredita que, se existem deuses por aí, Hermann Hesse poderia ser um deles: crê que temos que, diariamente, renovar o mundo dentro de nós mesmos.

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