Parque Nacional Torres del Paine, o lugar mais lindo do mundo!

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É somente minha modesta opinião, mas eu acho o Parque Nacional Torres del Paine o lugar mais lindo do mundo. Talvez esteja exagerando, mas pelo menos de todos os lugares que conheci, foi o que mais me impressionou até agora.

 


 
Como já comentei no texto anterior, eu cheguei aqui meio que por acaso e não sabia bem que tipo de lugar estava me esperando. Não sabia nada do clima, das paisagens, da fauna, da flora: nada muito certo. Porém, quando eu vi a Cordillera Paine pela primeira vez, a sensação de deslumbramento que senti foi uma coisa inexplicável. Cada montanha parece ter sido esculpida pelo artista mais detalhista do mundo e com uma paciência impressionante. Os lagos são de tonalidades que variam do azul mais escuro ao verde mais brilhante, passando por uma quantidade de cores que eu ainda não conhecia. As árvores mudam de cores todos os dias, anunciando as chegadas e partidas das estações (na verdade eu até tenho a impressão de que as montanhas mudam de cor todos os dias, mas aí concordo que pode ser loucura demais).
 
Sabe aquela pessoa que você ama e que todos os dias parece que está mais bonita, que cada dia tem algo novo que te faz perceber porque você é apaixonado por ela? Bom, com as Torres del Paine a situação é a mesma. Eu acho que essa seria a melhor maneira de tentar explicar a beleza do lugar. Já são 3 anos que eu moro ao lado delas, vejo elas todos os dias e, mesmo assim, no caminho de casa ao trabalho, não posso deixar de parar e admirar a vista por alguns minutos. E não me canso disso: pelo contrário, cada dia eu demoro mais nessas paradas.
 
O Parque Torres del Paine é uma reserva natural de aproximadamente 240 mil hectares e um dos mais importantes e visitados do país. Foi criado oficialmente em 1959 e é composto por uma variedade enorme de montanhas, rios, lagos, vales e glaciares. Foi convertido em Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978 e, desde os princípios do século XXI, se converteu em um dos destinos preferidos dos montanhistas de todos o mundo, chegando a receber 200 mil visitantes em 2014 e com projeção de 250 mil para 2015.
 
A maioria dos visitantes, de franceses alpinistas a brasileiros morrendo de frio, vem para realizar o famoso circuito W, que consiste em 76 km de caminhadas entre os principais pontos de interesse e que pode ser realizado em 4 ou 5 dias tranquilamente. Para os mais aventureiros, o circuito completo é de 139 km e são necessários de 8 a 10 dias para poder caminhar com calma e contemplar o lugar. Ambos os circuitos contam com estrutura de camping e refúgios no caminho, e tudo depende do quanto você quer se esforçar, e do orçamento preparado para a viagem. Dessa forma se pode planejar bem para ter uma boa experiência durante as caminhadas – com algo de esforço, mas também sem sofrer, já que a ideia é pasarlo bien.
 

 
Já realizei os dois caminhos algumas vezes e posso dizer que é necessário um pouco de preparo físico, mas não precisa ser um super atleta para poder completá-lo. Eu diria que o fator mais complicado é o clima, que pode mudar inúmeras vezes durante o dia, com temperaturas que vão de -5º a 20º, chuvas que aparecem do nada e ventos que chegam a 150 km/h. Digo até que a primeira vez que fui, pensava ser muito mais difícil do que realmente é, só que contei com muitos conselhos de amigos guias e isso fez minha experiência ser boa. É importante ter uma boa roupa, uma mochila que se acomode bem ao corpo, sapatos confortáveis e, para os que vão acampar, barraca e saco de dormir resistentes tanto para o frio como para o vento.
 
Acho que o mais complicado para quem não está acostumado a esse tipo de aventura, especialmente para nós brasileiros acostumados com o calor da terrinha, é o fato de que os equipamentos necessários para acampar nas condições climáticas daqui são mais técnicos e, portanto, também mais pesados na mochila. No Brasil, uma barraca do Gugu e um par de lençóis bastavam para a maioria das trilhas. Aqui, com esse equipamento você não sobrevive à primeira noite.
 
Para os que gostam da boa vida, mais tranquila e sem aventuras desnecessárias, o Parque não deixa de ser espetacular. Tirando as trilhas para caminhadas mais longas, existe uma estrada de cascalho que cruza o parque de oeste a sul passando pelos principais mirantes, cada um com curtas caminhadas, que não superam os 4 km e de onde se pode admirar o conjunto completo de montanhas. Isso pode ser feito com um carro alugado, para ter mais liberdade, ou com uma das inúmeras empresas que fazer o tour Full Day.
 
Além disso, um dos destaques do parque são os diferentes glaciares que podem ser visitados. O principal e mais imponente é o Glaciar Grey, que pode ser avistado de diferentes maneiras. Se tiver pique, a caminhada do circuito completo passa quase em cima do glaciar e a vista é espetacular. Para mim, foi a coisa mais incrível que já vi na vida: pela trilha, o glaciar se perde no horizonte e a vista não alcança o seu final. É possível, também, chegar muito perto desde uma navegação que sai do Hotel Lago Grey. São 3 horas de passeio, com uma parada bem na frente para poder apreciar a gigante parede de gelo. Outros glaciares interessantes são o Pingo e o Tindall, cujos quais é possível chegar em uma caminhada de 3 a 4 horas, mais ou menos.
 
Em termos de fauna e flora, as condições climáticas características possibilitam que o Parque tenha uma variedade única e muito variada de espécies. É possível encontrar mais de 120 tipos de aves, 25 tipos de mamíferos e aproximadamente 250 espécies de plantas distintas. Entre os animais principais estão o Puma, o Guanaco, o Huemul, o Ñandú e as Raposas Coloradas e Gris. A vegetação é dividida basicamente em 4 tipos: O Matorral Pre-Andino, o Bosque Magallánico Deciduo, a Estepa Patagônica e o Deserto Andino. Isso tudo torna o Parque um destino quase obrigatório para todos os amantes da natureza.
 
Para chegar até Torres del Paine, é recomendável passar uma noite antes em Puerto Natales, já que é a cidade mais próxima e o último lugar onde se pode encontrar supermercados, lojas, aluguel de equipamentos, empresas de turismo e tudo mais que você pode necessitar para a aventura. Recomendo também, para um bom descanso, um banho quente e também aproveitar uma da simples, porém interessante noite Natalina. No próximo texto falaremos mais dessa charmosa cidade, fundada há 104 anos pelos pioneiros “estancieiros” da região como ponto de saída para a exportação de produtos regionais.
 
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Felipe Menezes

Felipe Menezes

rglocal@rglocal.com

Passou de Paulistano a cidadão do mundo em 2008, quando decidiu sair do Brasil para explorar a Europa. Isso resultou ser um caminho sem volta e depois de alguns anos no velho continente, hoje em dia caminha por terras latinas. Cumpriu seu sonho de ter uma van e agora vive por aí com sua casa-móvel e com o objetivo de conhecer todo o continente americano. Sonhador, aventureiro e historiador nas horas vagas, atualmente se encontra apaixonado pela Patagônia. Acredita que as gentilezas feitas em suas viagens são uma forma de fazer com que a boa energia entre pessoas siga fluindo. Portanto, se quiser uma carona pelo continente olhe bem, porque a qualquer momento pode ver La Bestia passando com um sorridente rapaz atrás do volante.

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  • vera

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    Que lugar incrivel, que fotos lindas deste lugar. Parece mesmo ser o que imaginamos ser o paraiso. Que vontade de estar la tambem e viver esta experiencia maravilhosa.

    junho 10, 2015 at 10:55 pm
  • Renata Stec

    Responder

    this is magical!!! success and do keep me posted!!!
    R xx

    junho 11, 2015 at 8:34 pm
  • Sueli Faria

    Responder

    Matéria linda, rica em detalhes, envolvente e de uma verdade pessoal incrivel.
    Parabéns Fê!

    junho 12, 2015 at 3:45 pm
  • Mauricio Cecchi

    Responder

    Wena wena… Felipe lo conocí en Patagonia ahora es un muy buen amigo mio… puedo confirmar que es una persona mágica que encanta a quien lo conoce. Además, es cierto Patagonia es dentro de Chile (no viajado más lejos) el más increíble y hermoso. Cada vez que fui a trabajar al Parque Nacional Torres del Paine, fue una aventura mágica.

    Saludos Felipe y nos vemos por ahí de nuevo en Chile o en Brasil!!!

    julho 4, 2015 at 12:14 am

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