Aprenda a mergulhar e apaixone-se pelo inexplorado!

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Em minha última passagem por Bonito, região que faz jus ao nome que leva pela beleza que ali se concentra, vivi uma das grandes experiências da minha vida. Foi em um atrativo não tão conhecido pelo público geral, mas desejado pelos amantes de esportes de aventura. Na modesta opinião deste que vos fala, o mais espetacular de todos os atrativos de lá. Trata-se do Abismo Anhumas, uma caverna gigantesca de 70 metros de altura, cuja única entrada e saída fica no topo da caverna, através de uma fenda de cerca de 3 metros de diâmetro. O único acesso até a base da caverna, um “píer” flutuante sobre o lago, é através de rapel. A água, de um azul royal e totalmente cristalina, que possui uma profundidade de até 50 metros, sendo impossível enxergar o fundo devido à falta de luz, encobre um fenômeno raro no mundo, os cones, que se assemelha a uma estalagmite, mas arredondada.
 
Quando se atinge a base, é possível fazer uma flutuação e, para aqueles que têm carteirinha, mergulhar. Infelizmente, naquele momento, não era o meu caso, o que me impossibilitou de viver mais esta incrível experiência. Me restou mesmo a flutuação, que não é nada de se jogar fora, muito pelo contrário. Lembro quando entrei n’água pela primeira vez, olhei para baixo e vi aquela vista interminável que se mesclava com a escuridão, encheu meu corpo de um medo profundo, mas ao mesmo tempo me intrigou a explorar todo aquele mistério.
 


 
Desde que vivi esta intensa experiência, a vontade de mergulhar não sai de mim. Os cosmos, com sua maneira perfeitamente caótica de se comportar, fez com que minha vida se direcionasse para isso, através de um grande amigo que, para aproveitar melhor sua lua de mel nas Maldivas, resolveu tirar a carteirinha de mergulho. Eis que conheci o Carlos Trujillo, apaixonado por mergulho e idealizador da escola Dive Tech. Finalmente consegui fazer o curso e hoje posso mergulhar em qualquer lugar do mundo.
 
O curso compõe-se em duas partes: prática e teórica. Tudo é feito em um fim de semana. Mas prepare-se, pois são dois dias intensos, com cerca de seis horas de trabalho por dia. Ambos intercalam entre a teoria, ministrada na sede da escola (Rua Alice Macuco Alves, 41), e a prática, que acontece na piscina da academia Ecofit (Rua Cerro Corá, 580). Tudo é feito com total atenção e carinho pelos instrutores, tanto o próprio Carlos, quando pelo Raul.
 
Na teoria, aprende-se um pouco sobre a história do mergulho, todos os equipamentos necessários e no detalhe quais são as informações indispensáveis para se praticar o esporte, como os símbolos utilizados embaixo d’água e, mais importante, as influências fisiológicas em seu corpo ocasionadas pela prática e todos os riscos envolvidos. Nas piscinas se tem a oportunidade de pôr em prática todos os conhecimentos adquiridos, como o controle dos equipamentos, sinalização debaixo d’água, simulação de cenários de risco, entre outros.
 
Raul, responsável pela grande parte do curso, trabalhava no mercado financeiro e levava uma vida envolvida por stress. Resolveu mudar radicalmente sua vida, largar tudo e fazer educação física, principalmente para se especializar em esportes aquáticos, sua grande paixão desde criança. Mais tarde, apaixonou-se pelo mergulho e resolveu se profissionalizar no assunto. Contou diversas histórias interessantes ao longo do curso, como o fato de Jacques Cousteau ter sido o responsável por popularizar a prática no mundo, quando transformou o equipamento, tornando possível o mergulho recreativo. Falou também sobre a construção da ponte de Manhattan, como o mergulho teve um papel fundamental nesta história, mas como o engenheiro acabou morrendo por doença de descompressão, entre muitas outras.
 

 
Aprender a mergulhar passa muito longe de ser apenas um simples ganho técnico. É uma viagem por leis da física que são aplicadas na prática da modalidade, por boa parte da história da humanidade e pela maior parte da terra que ainda nos guarda grandes mistérios, a vastidão do oceano. Agora voltarei à Bonito, apenas para mergulhar no Abismo Anhumas. Mas não vou parar por aí, será ao redor do mundo todo!
 

Conheça Carlos Trujillo, criador da Dive Tech

 
Carlos Trujillo é um caso raro, daquelas pessoas únicas que você nunca vai esquecer que conheceu. Apaixonado pela natureza, enérgico pela vida, adora contar uma bela história. E são muitas que ele tira da cartola para engatar no papo que estiver rolando na hora. Sua caminhada foi longa e com muitos percalços, mas a paixão pelo mergulho o manteve forte na busca do sonho de viver disso.
 
Sua carreira profissional foi como bancário, sempre com o foco em informática. Ficou 7 anos no último banco que trabalhou quando, devido a avanços tecnológicos, foi demitido de uma hora para a outra. Por isso, passou a trabalhar em diversas lojas, primeiro de fotografia até, quando seu amigo montou uma loja e o chamou para trabalhar lá, entrar em contato o mergulho, paixão que nunca mais Carlos conseguiu largar.
 

“Meu mundo é o mar! Meu sonho sempre foi estudar oceanografia na USP” – afirma, com voz orgulhosa.

 
Desde o começo avisou à mulher, a quem mantém profunda paixão, que não teria como abandonar o mergulho. Em 1987, como haviam poucas opções, como única opção que encontrou, formou-se como mergulhador junto a um grupo de bombeiros. Diz ter sido extremamente puxado, sendo exigido da mesma forma que àqueles que estavam ali para aprender a suportar as condições mais extremas.
 

“Eram uns exercícios de louco!” – Lembra.

 
Para mergulhar naquela época, Carlos conta que era extremamente caro. Ou tinha condições financeiras abastadas para conseguir manter isto como hobby, ou era preciso trabalhar com isso para conseguir manter este estilo de vida. E foi por este caminho que optou trilhar. Em 1989 criou a Anfíbios, que também promovia cursos de mergulho. Entrou em contato com muitas pessoas que ajudaram seu negócio a evoluir, mas também por poucas que acabaram o prejudicando. A partir de 1994 a Anfíbios se tornou definitivamente Dive Tech e já se vão 26 anos desde que começou a dar cursos de forma ininterrupta.
 
Dentro do mergulho, Carlos é um empreendedor nato. Desde vender equipamento, participar da gestão de empresas e, principalmente, trabalhar como instrutor. Ama o nordeste, melhor região para o mergulho, sendo o próprio. Tem com grande lembrança seu primeiro mergulho em Abrolhos e também o que realizou em Fernando de Noronha. Fora do país, o que mais marcou foi o realizado em Cuba.
 

“No Brasil o mergulho está no nordeste. Mas em Cuba é muito legal por que dá para unir a prática do mergulho e a parte cultural.”

 
Mesmo com todos os desafios, Carlos sonha alto. Está prestes a se formar em um curso de empreendedorismo e já tem mais alguns projetos para implementar no futuro próximo. Não consegue esconder a felicidade que tem em trabalhar com o seu próprio negócio, o qual tem orgulho em mostrar todo o seu amor.
 

“Sou o cara mais feliz no mercado de mergulho”

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Guilherme Merlino

Guilherme Merlino

guimerlino@gmail.com

Quero compartilhar os aprendizados das realidades culturais que encontrar em minhas experiências pelo mundo Vivenciar as culturas locais de forma respeitosa, com gentileza e delicadeza, e acima de tudo: viver para viajar, viajar para viver.

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