Uma viagem pelo mundo de Kandinsky!

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Gosto de exposições no Centro Cultural Banco do Brasil, o famoso CCBB. Sempre que há alguma que me interessa, preparo um dia inteiro para uma submersão pelo belíssimo centro de São Paulo. O ideal é esquecer do carro, alongar bem as pernas e se preparar para uma boa caminhada.
 
Já que tudo começa num ponto, este início vai muito antes da manhã do sábado escolhido para o programa. O convite foi da cunhada Jamile Leão, que está com o projeto 179 dias sem ele, no qual se comprometeu a vivenciar uma experiência nova todos os dias enquanto seu marido, meu irmão, curte a linda cidade de Amsterdam.
 
Convite aceito, malas nas costas e bora mergulhar no universo do centro paulistano. Muitas pessoas, muitas culturas mescladas, muita gritaria e tudo o que você possa imaginar de bugigangas para comprar. Mas o que mais me interessa por lá são as intersecções encontradas a cada segundo. Seja pelas vidas dos quatro cantos do país que se juntam ali, seja pelas curvas dos lindos prédios que parecem dançar em total sintonia com cada passo dado. Difícil é olhar para cima para acompanhar este espetáculo e não atropelar alguém no meio do caminho.
 
Ao entrar no CCBB, um sorriso me veio ao rosto ao me deparar com o próprio Kandinsky, em carne e osso, e ao escutar o próprio falar da “titia”, uma das maiores influenciadoras da vida do artista, com uma linguagem que mantinha, atônitos, crianças e adultos. Uma inciativa do CCBB para diminuir a distância entre a vida de grandes artistas e do público, através do teatro. Com uma boa representação, um cenário simples, mas interativo, e uma banda fazendo uma trilha sonora ao vivo de muita qualidade, faz valer a pena chegar mais cedo à exposição.
 


 
Kandinsky – tudo começa num ponto – vai além de apenas expor obras de arte deste que foi um dos percussores do abstracionismo. É uma viagem pela vida do artista, por suas experiências, ideias e inspirações. Além de trazer obras de outros artistas que o influenciaram e/ou se relacionaram com ele.
 

“Eu vi todas as minhas cores em espírito, diante dos meus olhos. Selvagens, linhas quase loucas foram esboçadas na minha frente.” W. Kandinsky

 
Kandinsky acreditava que, tanto na vida quanto na arte, a alma e o espiritual devem prevalecer sobre o material. Essa profunda convicção foi fundamental para a criação de sua nova linguagem artística. Seu trabalho reflete o seu próprio mundo interior. “É a vida abstrata das formas materiais reduzidas ao mínimo ou, pelo menos, apresentada dessa maneira, e compreendida a prevalência de unidades abstratas que saltam à vista e revelam a voz interna do quadro”, escreve em seu trabalho teórico “sobre a questão da forma”.
 
A exposição me levou ao profundo mundo de Kankinsky, transformou um simples ponto em uma dança de cores e formas. Conectou-me ao contexto histórico vivenciado pelo artista na Rússia no começo do século, aproximou-me à cultura Xamânica, tão presente em sua obra, e apresentou-me alguns de seus artistas contemporâneos.
 
Para rebater esta incrível viagem, ao sairmos do CCBB, demos uma caminhada rápida até o Mercadão. Em alguns momentos, admito que me peguei observando a dança de cores presente por lá. Mas fomo mesmo para mandar o famoso sanduba de mortadela. Recomendado, o programa completo!
 

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Guilherme Merlino

Guilherme Merlino

guimerlino@gmail.com

Quero compartilhar os aprendizados das realidades culturais que encontrar em minhas experiências pelo mundo Vivenciar as culturas locais de forma respeitosa, com gentileza e delicadeza, e acima de tudo: viver para viajar, viajar para viver.

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