Conheça Andira e Fabio, nômades digitais que vivem viajando o mundo!

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A internet tem o poder de aproximar pessoas ao redor do mundo. Isso já estamos cansados de saber. Mas as vezes ainda me surpreende a facilidade que há em contatar pessoas incríveis. Este é o caso de Andira e Fabio. Duas pessoas que se conheceram através do site Worldpackers, startup brasileira que conecta viajantes dispostos a trabalhar em troca de hospedagem com negócios de turismo. Os dois possuem uma história incrível e concretizaram o sonho de viver diferente da tão cultuada realidade profissional. Nós do RG Local batemos um papo com eles e trazemos a vocês o relato de Andira sobre essas incríveis experiências!
 
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Fui nômade desde que nasci, pois aos dois meses de idade minha família deixou minha cidade natal – Feira de Santana, na Bahia – para ir para São Paulo. E, de lá, moramos em mais de quinze diferentes locais e cidades. Quando cresci, aos 21 anos, também comecei a viajar cada vez mais e a morar em diferentes estados do Brasil. Foi em 2014 que me mudei para Londres e a minha história pelo mundo afora começa assim.
 
O Fabio nasceu e cresceu no mesmo lugar, em Curitiba – Paraná. Contudo, aos 18 anos ele já sabia que queria viajar o mundo. Para isso, ele focou seus esforços, economizou o suficiente e colocou a viagem no topo de suas prioridades. Ao fazer parte da AIESEC, Fabio abraçou a oportunidade de ir morar no Quênia e depois no Cazaquistão e Cingapura. Ao todo, pode colocar mais uns 45 países na lista dele, que só tende a aumentar.
 
Eu e o Fabio nos conhecemos pela internet quando eu fazia entrevistas com viajantes do mundo todo para o site do Worldpackers, startup brasileira que eu colaborava na época. Depois de tantas conversas online, o Fabio decidiu largar tudo no Brasil e me encontrar em Londres. No entanto, nunca tivemos um projeto predefinido. Desde que nos encontramos, viajamos sem planos, sem rumos, sem regras. Decidimos criar o Sexo, Viagens e Rock’n’Roll como uma forma de reunir nossas histórias e causos das nossas andanças pelos países que passamos. Despretensiosamente, percebemos que o blog começou a crescer e a inspirar muitas pessoas. Foi a partir daí que percebemos que não estávamos mais viajando sozinhos.
 


 
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Para que possamos nos sustentar durante nossas viagens, além da poupança que havíamos economizado individualmente antes de colocarmos as mochilas nas costas e os pés na estrada, elaboramos uma estratégia de trabalhos freelancer que engloba Graphic Design, Social Media, Copywriting, Trip Planning, English Classes e trabalhos voluntários que nos ajudam a economizar com acomodação, usando plataformas como Worldpackers e Workaway.
 
Nossa rotina é inexistente. Tem dia que dormimos mais do que deveríamos, outros dias viramos a noite editando vídeo e, em muitos outros, acordamos bem cedo para ver o sol nascer na beira de alguma praia ou alugamos bicicletas para fazer um passeio pela cidade. Tudo depende de qual país estivermos e de quais trabalhos freelancer tivermos pendentes na agenda.
 
Não enxergamos essa vida na estrada como um passatempo ou uma fuga da realidade. Não buscamos glamour e luxo, obviamente que não temos rios de dinheiro. Viajar tornou-se nosso estilo de vida nômade. Podemos viver com bem menos do que temos. Ao nos desfazer de dezenas de sapatos, roupas, móveis e objetos inanimados do nosso dia a dia, conseguimos perceber que a vida vai muito além do acúmulo de bens e nas horas estressantes atrás de uma mesa de escritório.
 
Hoje em dia, fazemos nossa própria rotina de trabalho, cumprimos os prazos fielmente e continuamos viajando por tempo indeterminado. Já faz 15 meses que viajamos juntos e 17 países visitados.
 
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A viagem que fez com que eu abrisse os olhos para o mundo foi dentro do meu próprio país, o Brasil. Fiz uma roadtrip de carro em 2013 que durou 15 dias e foi de Santa Catarina até Pernambuco, passando pelo Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas. Foi absolutamente incrível ter a liberdade de parar em qualquer lugar para tirar fotos e dormir em hotéis de beira de estrada. Assim como foi absolutamente terrível presenciar os contrastes que o turismo estampa em nossa terra pátria. Locais como Porto Seguro e Trancoso que são lindos de morrer colocam gringos e turistas em acomodações maravilhosas, enquanto a população nativa mora em bairros afastados e pobres. Essa viagem fez aflorar minha vontade de descobrir como o contraste entre povos do mundo inteiro vivem e escrever sobre minha particular percepção.
 
Em conversa com o Fabio, sua viagem mais marcante se deu aos 22 anos quando, em 2009, ele se mudou de mala e cuia para o Quênia. Foi sua primeira viagem internacional e seu objetivo sempre foi buscar locais menos explorados. Também foi a primeira vez que ele percebeu que conseguia se virar sozinho e sem o auxílio de ninguém, adquirindo maturidade e confiança para seguir sua jornada de viagens pelo mundo. Morar no leste do continente africano desenvolveu seus cincos sentidos. Ele pôde provar diferentes sabores, observar belíssimas paisagens e participar em safáris lado a lado com animais selvagens. Todavia viver na África não se resumiu aos estereótipos. Foi uma mudança de vida significativa e riscos diários nas ruas de Nairobi eram rotineiros, assim como os privilégios encontrados como estrangeiro caucasiano.
 

 
Atualmente, eu e o Fabio somos turistas e viajantes eternos, até quando ficamos mais de um mês em um mesmo lugar. Aos 27 e 29 anos, alteramos nossa condiçăo de meros expectadores e passamos a absorver as situaçőes em que nos encontramos de forma mais leve. Acabamos criando um jeito diferente de ver a vida, brincando de nos perder em ruelas ou observar a multidăo caminhando a passos largos. Adoramos experimentar novas culinárias típicas de cada regiăo e também nos atrevemos a dançar as músicas folclóricas.
 
Cada vez mais pessoas estăo viajando ou optando por viajar nas férias e em feriados. Viajar faz com que possamos aprender mais sobre outras culturas e costumes, a respeitar outros povos e religiőes e, acima de tudo, se autodescobrir. Ficar longe de sua zona de conforto e se acostumar às ruas, barulhos e cheiros de outro país te transformará numa pessoa mais conectada consigo mesma. Descobrimos coisas que não imaginávamos gostar e rejeitamos hábitos que antes achávamos corretos. É um aprendizado constante e, mesmo que você tenha que voltar para a sua realidade depois, com certeza levará consigo memórias inesquecíveis que virarão histórias épicas.
 
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Guilherme Merlino

Guilherme Merlino

guimerlino@gmail.com

Quero compartilhar os aprendizados das realidades culturais que encontrar em minhas experiências pelo mundo Vivenciar as culturas locais de forma respeitosa, com gentileza e delicadeza, e acima de tudo: viver para viajar, viajar para viver.

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